Ninguém me entende!

Atualizado: 6 de fev.



Como é a comunicação aí em sua casa com seus pais?


Já sentiu como se você não tivesse voz? Como se não fosse ouvido? Já teve a sensação de que, ao falar com seus pais, eles não estavam entendendo o que estava querendo dizer (e até que, em sua cabeça, eles não fazem questão de te entender)?


E você já parou para pensar por que isso acontece? Vou falar de alguns motivos possíveis:


  1. Distância entre as gerações – afinal, podem existir, no mínimo, 15 anos de diferença entre vocês;

  2. Valores diferentes, ou seja, o que cada um considera ser importante para a vida – o que ocorre porque a educação recebida e as experiências dos pais os levaram a enxergar a vida a partir de uma lente diferente da sua;

  3. Nível de escolaridade – um ponto sensível, mas, a depender do nível de estudo (o chamado “grau de instrução”), pode existir uma dificuldade na interação. Pesquisas publicadas já apontam a dificuldade de compreensão do sentido do que está sendo dito, ou seja, quando a interpretação do que foi comunicado ocorre de forma diferente do que o emissor quis dizer. Nesse caso haverá o desafio, por parte de quem fala, de se comunicar da forma mais clara quanto possível para quem ouve. Às vezes utilizando um vocabulário mais simples e até mesmo verificando: “você entendeu o que eu disse?”, “eu fui claro?”;

  4. O desejo de estar sempre certo – o famoso “estar com a razão” – também é um motivo para essa sensação de não ser entendido (algo que você ou quem fala com você pode desejar e, quando alguém “não arreda o pé”, não pode haver proximidade ou concordância entre as pessoas que estão tentando se comunicar);

  5. A pessoa que ouve já está pronta para responder e, portanto, escuta, mas não ouve de verdade o que está sendo dito pelo outro porque, talvez, ela se sinta atacada, desrespeitada e já esteja armada, também.


Agora, sem julgamentos, dá pra você analisar aí qual é a sua situação específica? Abrir mão do julgamento é a situação na qual a gente “abaixa as armas” e não tem a intenção de apontar o dedo para o outro, achando que sabe o que ele realmente pensa ou sente.


Tá, Suelen, eu já sei, já deu pra sacar que tô no ponto 3” ou, quem sabe, você pode estar no 5. Identificar qual é o problema na sua comunicação ajuda a diminuir a sensação de “pena de si mesmo” porque você olha para o que está te consumindo de verdade e daí é possível buscar resolução. E, claro, não existe uma única solução para todos os possíveis motivos.


Em primeiro lugar, eu falo sobre esse tema tão importante aqui não só para que entenda seus pais ou responsáveis, mas, também – antes de tudo –, para que possa entender a si mesmo: quem eu sou, o que penso, no que acredito? Essa precisa ser uma busca de cada um, porque quem não sabe pra onde vai qualquer caminho serve, é convencido facilmente por outros e não cresce emocionalmente. Nesse ambiente de clareza pode-se ter em mente que é possível viver com o outro mesmo que ele seja muito diferente e, ainda assim, viver em paz.


Em segundo lugar, falo sobre o tema pra que seja possível lembrar da responsabilidade que cada um tem no processo do “ser entendido”. E, por último, falo isso pra você saber, com toda certeza, que se você está em um desses pontos ou em outros mais, essa situação tem solução. Sabe onde essa solução começa? Na consciência. Parece ridículo, eu sei. Mas o primeiro passo está em identificar a realidade na qual você está inserido. É diferença entre gerações? Seus pais têm valores diferentes? Que tal compreender que, se você é adolescente, tem mais condições de mudar seu modo de falar do que seus pais? Quanto à idade, que tal ser mais respeitoso no modo de falar e, quem sabe até, só ouvir?


Eu sei que, sob muita raiva, você pode me dizer que não é respeitado, mas considere dar o primeiro passo, nem que seja o de ir até essa pessoa (podendo ser seu pai ou sua mãe) e dizer como se sente. Saiba, contudo, que pode ser que você ouça coisas que não gostaria. Entretanto, eis uma primeira postura para conquistar respeito do outro: ouvir o que ele tem a dizer sem “se armar” e sem “levar para o coração” quando ele disser algo que possa machucar. É que pessoas feridas ferem e nem sempre adultos sabem como se comunicar (esse pode ser parte do seu problema de comunicação caso você seja um adolescente).


A questão do respeito é uma das coisas que mais ouço de adolescentes, eles desejam ser respeitados. Afinal, não é porque “só têm” 15 ou 17 anos que não sabem de nada. Quanto a isso eu sei que você tem total razão. Preciso trazer um contraponto: se você quer ser levado a sério e ser visto como alguém que precisa e deseja ser levado em consideração, mudar sua forma de se comportar é um passo de excelência, mesmo que não seja fácil.

Dessa forma, eu te pergunto: você é um incompreendido ou um incomunicável?

Me diz aí embaixo, nos comentários, qual solução você acha ser possível para um dos 5 motivos descritos acima do não se sentir compreendido. E curte para eu saber se esse conteúdo faz sentido pra você. Isso me ajuda a entender o caminho certo para ajudar adolescentes – que é o que eu mais quero fazer!


Suelen Nery


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